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greve.jpgEu e mais 23 colegas fomos ontem a Natal para participar da passeata em prol da escola pública e de nossos direitos. Fomos, munidos de apitos e bandeiras, até o Gabinete da Secretaria de Educação, Ana Catarina. A revolta foi grande porque ela concretizou o prometido: mandou descontar os 17 dias em que estivemos em greve! Revolta também houve por causa do número de policiais convocados para a ocasião. Ficamos ali, enquanto dez dos nossos conversavam com a secretária. Seis dos sete ou oito cartazes chamaram a atenção de alguns presentes - especialmente dos da àrea de Letras - pelas deficiências ortográficas. Eis o que estava escrito neles:

1º: A CENTRAL FORÇA SINDICAL
REPODIA O DESCASO DO GOVERNO PARA COM A EDUCAÇÃO.

2º: A CENTRAL FORÇA SINDICAL SE SOLIDARIZA COM A LUTA DOS PROFE-
SSORES POR UMA EDUCAÇÃO DE MELHOR QUALIDADE.

3º: O SINDICATO DOS AGENTES PENITENCIÁRIOS
ESTÃO SOLIDÁRIO A GREVE DOS PROFESSORES.

4º: TODO APOIO A GREVE DA EDUCAÇÃO (Era um cartaz da CONLUTAS)

5º: EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA TODO APOIO A GREVE DA EDUCAÇÃO (Cartaz da CONLUTE)

6º: COMO PODEMOS VIVER NUM PAÍS ONDE NÃO DÃO QUALIDADE A EDUCAÇÃO??? (Cartaz exibido por uma estudante)

Aqueles cartazes retratavam, para alguns de nós, uma pequena amostra do fracasso em que se encontra a escola pública no Brasil.

Uma professora desmaiou durante o tumulto que se fez quando a polícia resolveu interferir. Um deles deu-lhe uma cotovelada na testa. Diz-se que alguns estudantes também foram agredidos. Depois foi adotada uma estratégia interessante. Os políciais retiraram-se todos e e fizeram barreira na entrada do prédio. Ninguém mais podia entrar ali e quem saísse não teria retorno. Como as horas se escoavam e estávamos com fome, irresistível foi, para muitos, a tentação de abandonar o recinto.

A Deputada Fátima Bezerra esteve presente o tempo inteiro conosco e disse que, mesmo estando aliada ao governo local, optava pela categoria e que jamais trairia o seu histórico de lutas. Ela e outro Deputado não foram bem recebidos pela Secretária e os dez ou doze que tiveram parte direta na negociação ficaram decepcionados com o autoritarismo e arrogância que a secretária manifestou durante a conversa. Alguns disseram ter sido uma experiência humilhante.

No retorno para casa víamos o ar de desalento e revolta. Uma colega ao meu lado, disse: "Muitas vezes tenho me perguntado: Que estou eu fazendo na educação?" E falou-me de sua descrença e desconfiança.
Realmente, é deprimente ver aposentados tristes por terem perdido parte do pouco que ganhavam quando na ativa. É triste ver colegas sem quase nenhuma perspectiva, sem motivação, carregados de stress...

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