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professora-diferente.jpgAULAS DE MIRIAM

Nosso primeiro contato com a Professora Miriam Dantas de Araújo se deu em 26.11.2005. Ela veio para confirmar o dito de que “os melhores perfumes vêm nos menores frascos”. À semelhança do personagem bíblico Davi, que trazia ocultamente na estrutura insignificante de seu corpo o potencial de derrotar o gigante Golias, postou-se diante de nós em sua simplicidade e atingiu-nos tão fortemente o entendimento, quanto aquele acertou a testa do filisteu.
Para mim, em particular, o inicio dessa parte da Especialização foi muito bem-vindo, pois sou um aficcionado por leitura e creio a principal função de um educador seja a de transformar seus aprendizes em ávidos leitores. Especificamente quanto ao ensino de língua portuguesa, nada melhor que a leitura de bons livros para “aperfeiçoar’ a chamada gramática intuitiva e, naturalmente, ensinar a norma padrão. Portanto, saudei com grande alegria o início da aula, às oito horas, naquele sábado.

Coincidentemente, poucos dias antes eu lera na net um texto do escritor mineiro Rubem Alves, onde ele incentiva os professores a lerem para seus alunos e faz menção da obra “Como um Romance” , do francês Daniel Pennac. Vira, também, uma entrevista do próprio Daniel, onde ele diz:
“[...] para fabricar verdadeiros leitores é preciso de vez em quando recorrer à informalidade. Por exemplo: na minha turma de 1º ano do 2º Grau, das seis horas de francês por semana, eu reservava sistematicamente duas horas para falar da literatura por ela mesma, para ler romances com o entusiasmo de leitor.” (Extraído de http://www.france.org.br/abr/label/Label39/dossier/11pouvoir.html ). Quando, pois, a professora citou esse professor e romancista, imediatamente captou minha atenção. Na parte inicial da aula, após as necessárias apresentações, leu-nos um trecho do livro “Como um Romance” e despertou em mim o interesse pela aquisição da obra “O Perfume”.
Ao se pôr a ler para seus alunos, Pennac viu perplexidade em suas faces. De igual modo, muitos dos colegas se surpreenderam quando a professora se pôs a ler trechos de livros para nós. Na realidade, ela pretendeu, desde o início, fazer de suas aulas uma exemplificação da metodologia que viera prescrever-nos. Suas aulas, naquele dia, pela manhã e pela tarde, foram uma viva ilustração do que fora escrito e vivenciado pelo educador francês. Lemos, ainda, e debatemos com vivo interesse, o texto “era uma vez desde antes e para sempre”, de Maria Betty Coelho Silva. Encantei-me com o resumo feito da história contada por Malba Tahan. O texto, como um todo, chama a atenção para a importância da leitura em nossa vida, para a necessidade que temos de ouvir, contar e ler histórias. “Contar histórias”, diz a escritora, “é dar as mãos uns aos outros e ir ao encontro da fantasia, resgatando a própria infância.” Em suma, poderosos fios oriundos daquele texto (tecido) enlaçaram e trouxeram à tona experiências variadas quanto ao ingresso no mundo da leitura vivenciadas por cada um de nós, adormecidas em nosso interior. Ao entardecer, estávamos com o corpo naturalmente fatigado, mas grandemente enriquecidos em espírito.

Um Comentário »

  1. http://gcarsantos.nireblog.com/post/2007/07/28/uma-professora-diferente

    Amanda

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